O que é o GHRP-6?
O GHRP-6 (do inglês Growth Hormone-Releasing Peptide 6) é um hexapéptido sintético com a sequência His-D-Trp-Ala-Trp-D-Phe-Lys-NH₂, uma massa molecular de aproximadamente 873 g/mol e a fórmula C₄₆H₅₆N₁₂O₆. Pertence à família dos secretagogos da hormona de crescimento (GHS), um conjunto de moléculas concebidas nos anos 1980 e 1990 a partir de trabalhos sobre análogos da met-encefalina, com o objetivo de estimular a secreção de hormona de crescimento (GH) sem administrar GH exógena.
Duas particularidades estruturais explicam o seu comportamento farmacológico. Primeiro, a presença de dois aminoácidos na configuração D (D-Trp na posição 2 e D-Phe na posição 5) confere rigidez conformacional e alguma resistência à degradação por peptidases. Segundo, a amidação C-terminal elimina a carga negativa terminal, um elemento frequente nos péptidos concebidos para interagir com recetores acoplados a proteínas G. Apesar destas adaptações, o GHRP-6 continua a ser uma molécula de vida curta no organismo.
É importante clarificar uma confusão comum: o GHRP-6 não é um análogo da GHRH. Moléculas como o sermorelina, a tesamorelina ou o CJC-1295 derivam da hormona libertadora de hormona de crescimento e atuam no recetor da GHRH. O GHRP-6 atua numa via completamente distinta, a do recetor da grelina. Trata-se de dois sistemas complementares, e não de variações do mesmo mecanismo.
Historicamente, o GHRP-6 foi a primeira molécula desta classe a demonstrar libertação significativa de GH em seres humanos por via intravenosa, num trabalho seminal de Bowers e colaboradores publicado em 1990 no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism. Desde então, foi sobretudo explorado como ferramenta diagnóstica em endocrinologia (para provocar uma resposta de GH em suspeita de deficiência) e como objeto de investigação pré-clínica, nomeadamente por equipas cubanas do Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia.
O GHRP-6 não possui autorização de introdução no mercado como medicamento nos Estados Unidos nem na União Europeia. É comercializado como produto destinado exclusivamente a investigação laboratorial. Este guia tem uma finalidade estritamente educativa e informativa e não constitui aconselhamento médico. Qualquer questão relativa à saúde deve ser discutida com um profissional de saúde qualificado.
Como atua o GHRP-6 sobre a hormona de crescimento?
O GHRP-6 liga-se ao recetor GHS-R1a, o recetor acoplado a proteína G cujo ligando endógeno é a grelina, uma hormona produzida maioritariamente pelo estômago. Curiosamente, a ordem histórica das descobertas foi inversa à habitual: o recetor foi identificado a partir da procura do alvo dos GHRPs sintéticos e só depois foi encontrado o ligando natural que o ativa. O GHRP-6 é, por isso, frequentemente descrito como um mimético da grelina.
A ativação do GHS-R1a nos somatotrofos hipofisários desencadeia uma via de sinalização dependente da fosfolipase C. Um trabalho publicado em 1995 demonstrou que o GHRP-6 estimula o turnover do fosfatidilinositol em células somatotróficas hipofisárias humanas em cultura, confirmando que o péptido atua diretamente ao nível da hipófise e não apenas por intermédio do hipotálamo. O resultado é a mobilização de cálcio intracelular e a exocitose de grânulos contendo GH.
O efeito hipofisário direto, contudo, não explica tudo. Num estudo elegante conduzido em nove homens saudáveis com idades entre 20 e 30 anos, Pandya e colaboradores administraram um antagonista específico da GHRH antes do GHRP-6. O antagonista eliminou a maior parte da resposta de GH ao GHRP-6, demonstrando que o péptido necessita de GHRH hipotalâmica endógena para exercer a sua estimulação máxima. Por outras palavras, o GHRP-6 amplifica um sistema que já está a funcionar, em vez de o substituir.
A relação dose-resposta foi caracterizada no estudo de Bowers de 1990, realizado em 18 homens normais. Os picos médios de GH sérica após injeção foram de 1,2 ± 0,3 µg/L com placebo e de 7,6 ± 2,5, 16,5 ± 4,1 e 68,7 ± 15,5 µg/L com doses crescentes do hexapéptido. Estes valores descrevem protocolos experimentais de investigação e não constituem qualquer recomendação posológica.
Uma característica frequentemente sublinhada é que a libertação obtida é pulsátil e não contínua, contrastando com a administração de GH recombinante. Os mecanismos fisiológicos de retrocontrolo, nomeadamente a somatostatina e o IGF-1 circulante, permanecem operacionais. Isto é apresentado como um argumento de plausibilidade fisiológica, mas convém sublinhar que plausibilidade não é sinónimo de segurança demonstrada: nenhum ensaio de longa duração verificou se esta característica se traduz num perfil de risco favorável ao longo de meses ou anos.
Porque é que o GHRP-6 estimula tanto o apetite?
Se há um traço que distingue o GHRP-6 dos restantes secretagogos, é a estimulação marcada do apetite. A explicação é anatómica: o recetor GHS-R1a não está presente apenas na hipófise, mas também no núcleo arqueado do hipotálamo, uma região central na regulação do balanço energético. Aí, o recetor é expresso nos neurónios orexigénicos que produzem o neuropéptido Y (NPY) e o péptido relacionado com agouti (AgRP).
A demonstração experimental mais citada provém de um estudo publicado na revista Endocrinology em 2002. Em ratos, a injeção intracerebroventricular de grelina ou de GHRP-6 estimulou significativamente a ingestão alimentar e reduziu transitoriamente a temperatura corporal central. Ponto decisivo: o efeito de ambas as moléculas sobre a ingestão alimentar foi bloqueado pela administração prévia de um antagonista do recetor Y1 do NPY (BIBO3304), o que identifica a via NPY como mediadora obrigatória do sinal de fome.
Este mecanismo tem uma consequência prática que raramente é bem comunicada. Um aumento do apetite não é, em si, um efeito benéfico ou prejudicial: depende inteiramente do contexto. Numa situação de caquexia, anorexia associada a doença crónica ou perda de peso involuntária, estimular a fome é um objetivo terapêutico legítimo, e foi precisamente essa lógica que conduziu ao desenvolvimento clínico de agonistas orais do GHS-R1a como a anamorelina. Fora desse contexto, num indivíduo que procura melhorar a composição corporal, a fome adicional trabalha diretamente contra o objetivo declarado.
É igualmente necessário assinalar um limite importante das evidências: a quantificação rigorosa do efeito orexigénico em seres humanos é escassa. A maior parte dos dados sólidos provém de modelos animais, com administração central e não periférica. Os relatos de fome intensa após administração de GHRP-6 em humanos circulam sobretudo em fóruns e testemunhos não controlados, que não permitem estimar a magnitude, a duração nem a variabilidade interindividual do fenómeno.
Por fim, note-se que o mesmo recetor serviu de base ao desenvolvimento de antagonistas. O derivado [D-Lys3]-GHRP-6 é amplamente utilizado em investigação como bloqueador seletivo do recetor da grelina, com efeitos opostos sobre a ingestão alimentar. A confusão entre o GHRP-6 e o seu análogo antagonista é um erro frequente na literatura divulgativa.
O que mostram os estudos em humanos?
Ao contrário de muitos péptidos de investigação, o GHRP-6 dispõe de um corpo de dados humanos real, ainda que limitado a estudos agudos e de pequena dimensão. Vale a pena percorrê-lo com precisão, porque é a diferença entre uma molécula caracterizada e uma molécula desconhecida.
Libertação de GH e sinergia. O estudo fundador de Bowers e colaboradores (1990, Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism) estabeleceu, em 18 homens normais, a relação dose-resposta descrita acima e mostrou que doses submáximas de GHRP combinadas com GHRH estimulavam a libertação de GH de forma sinérgica, isto é, superior à soma dos efeitos isolados.
Dependência da GHRH endógena. Pandya e colaboradores (1998) demonstraram, em nove homens saudáveis de 20 a 30 anos estudados em duas ocasiões (soro fisiológico ou antagonista da GHRH antes do GHRP-6), que o bloqueio da GHRH suprime a maior parte da resposta de GH.
Efeitos noturnos e eixo do stress. Frieboes e colaboradores publicaram em 1995, na Neuroendocrinology, um estudo em que controlos masculinos normais receberam bolus intravenosos repetidos de GHRP-6 ou placebo durante o sono. O péptido aumentou a GH, a ACTH e o cortisol, e modificou a arquitetura do sono. Este é um dado essencial: a elevação do eixo corticotrópico não é uma extrapolação teórica, foi medida.
Utilização diagnóstica. Alaioubi, Mann e Petersenn avaliaram em 2009 o GHRP-6 como teste de provocação para o diagnóstico de deficiência de GH no adulto. Quarenta e nove doentes com suspeita de doença hipotalâmica ou hipofisária realizaram o teste de tolerância à insulina e o teste com GHRP-6, e 20 controlos saudáveis realizaram apenas o teste com GHRP-6. A análise ROC sugeriu um ponto de corte ótimo de pico de GH de 3,5 µg/L, com 80% de sensibilidade e 95% de especificidade. Os autores concluíram que o GHRP-6 isolado é altamente específico mas de sensibilidade limitada, e registaram ausência de efeitos secundários durante a administração. Anteriormente, Popovic e colaboradores tinham descrito na The Lancet (2000) o teste combinado GHRH mais GHRP-6 como conveniente, seguro e fiável para o diagnóstico de deficiência de GH no adulto.
Farmacocinética. Cabrales e colaboradores publicaram em 2013, no European Journal of Pharmaceutical Sciences, um estudo em nove voluntários saudáveis do sexo masculino que receberam uma dose intravenosa única de 100, 200 ou 400 µg/kg. Considerando os três níveis de dose, a semivida de distribuição foi de 7,6 ± 1,9 minutos e a semivida de eliminação de 2,5 ± 1,1 horas. Esta cinética rápida é a razão pela qual os protocolos de investigação recorrem a administrações repetidas.
O que esta literatura não contém merece igual destaque: não existe nenhum ensaio controlado e aleatorizado de GHRP-6 sobre massa magra, massa gorda, força, qualidade do sono a longo prazo ou marcadores de envelhecimento em indivíduos saudáveis. Todos os estudos acima são agudos ou de curtíssima duração.
O que mostram os estudos em animais e in vitro?
A investigação pré-clínica sobre o GHRP-6 é consideravelmente mais vasta do que a investigação clínica, e cobre três eixos principais.
Comportamento alimentar. Como descrito anteriormente, a administração intracerebroventricular de GHRP-6 em ratos aumenta a ingestão alimentar e ativa centros cerebrais do apetite, com mediação pela via NPY/Y1. O mesmo padrão de resposta foi reproduzido em espécies muito distantes, incluindo peixes, o que sugere uma conservação evolutiva considerável do sistema grelina/GHS-R1a na regulação da fome.
Efeitos citoprotetores independentes da GH. Uma revisão histórica publicada em 2017 na Clinical Medicine Insights: Cardiology por Berlanga-Acosta e colaboradores compilou as evidências que sustentam efeitos citoprotetores dos GHRPs, nomeadamente a nível cardíaco e de outros tecidos, aparentemente não mediados pela libertação de GH. Estes efeitos são atribuídos à ligação a recetores distintos do GHS-R1a, em particular o complexo CD36, e à modulação de vias de stress oxidativo e de inflamação. Trata-se de um campo ativo, mas quase inteiramente pré-clínico.
Modelos de reparação tecidual e metabólica. Diversos trabalhos exploraram o GHRP-6 em contextos de cicatrização, isquemia e lesão de órgãos, com resultados encorajadores em roedores. Nenhum destes resultados foi confirmado por ensaios clínicos de eficácia em seres humanos.
A prudência interpretativa é aqui obrigatória por razões que vão além do habitual. As vias de administração usadas em animais (intracerebroventricular, intraperitoneal) não correspondem às vias praticáveis em humanos; as doses ajustadas ao peso não se transpõem linearmente entre espécies; e os modelos de doença induzida em roedores reproduzem mal a complexidade das patologias humanas crónicas. Um efeito robusto em ratinhos constitui uma hipótese a testar, não uma conclusão sobre pessoas. Para uma discussão mais geral sobre como avaliar a segurança desta categoria de moléculas, consulte o nosso artigo sobre a segurança dos péptidos.
Em que difere do GHRP-2 e da ipamorelina?
As três moléculas ativam o mesmo recetor GHS-R1a, mas apresentam perfis de seletividade claramente distintos. A comparação detalhada entre GHRP-6 e GHRP-2 é tratada na monografia dedicada ao GHRP-2; aqui limitamo-nos aos factos estruturantes.
| Critério | GHRP-6 | GHRP-2 | Ipamorelina |
|---|---|---|---|
| Estrutura | Hexapéptido | Hexapéptido | Pentapéptido (Aib-His-D-2-Nal-D-Phe-Lys-NH₂) |
| Estimulação do apetite | Marcada | Presente, geralmente descrita como menor | Mínima nos dados publicados |
| ACTH e cortisol | Aumento documentado em humanos | Aumento documentado | Sem aumento significativo face à GHRH em estudos pré-clínicos |
| Prolactina | Aumento descrito para a classe | Aumento documentado em humanos | Não descrito de forma significativa |
O documento de referência sobre a seletividade é o estudo de Raun e colaboradores, publicado em 1998 no European Journal of Endocrinology, que apresentou a ipamorelina como o primeiro secretagogo seletivo da hormona de crescimento. Nesse trabalho, a administração de GHRP-6 e de GHRP-2 resultou em aumentos dos níveis plasmáticos de ACTH e de cortisol, enquanto a ipamorelina não libertou ACTH nem cortisol em níveis significativamente diferentes dos observados após estimulação com GHRH. É esta diferença, e não uma potência superior sobre a GH, que fundamenta a reputação de seletividade da ipamorelina.
Do lado do GHRP-2 e do hexarelin, um estudo humano de Arvat e colaboradores publicado em 1997 na revista Peptides mostrou que ambos libertam mais GH do que a GHRH, com efeitos dependentes da dose e da idade, mas que a sua atividade não é totalmente específica, pois induzem aumentos comparáveis de prolactina, ACTH e cortisol. Este é o padrão típico da classe dos GHRPs.
Em síntese prática: o GHRP-6 é a molécula da família com a assinatura orexigénica mais pronunciada e um perfil hormonal menos limpo; a ipamorelina troca essa potência bruta e esse efeito sobre a fome por maior seletividade hipofisária. Nenhuma destas três substâncias dispõe de aprovação regulamentar para uso humano.
Porque é associado a um GHRH como o CJC-1295?
A associação de um GHRP com um análogo de GHRH é provavelmente o protocolo mais discutido em torno destas moléculas. A justificação teórica é sólida e assenta em três observações convergentes da literatura.
Primeira: as duas famílias atuam em recetores diferentes e complementares. O análogo de GHRH ativa o recetor da GHRH nos somatotrofos, enquanto o GHRP-6 ativa o GHS-R1a e, adicionalmente, atenua o tónus inibitório da somatostatina. Não se trata de somar dois estímulos idênticos, mas de atuar simultaneamente sobre o acelerador e sobre o travão do sistema.
Segunda: a sinergia foi efetivamente medida em humanos. No estudo de Bowers de 1990, doses submáximas de GHRP combinadas com GHRH produziram uma libertação de GH sinérgica, ou seja, superior à adição dos efeitos individuais.
Terceira: o GHRP-6 depende da GHRH endógena para atingir a sua resposta máxima, como demonstrado com o antagonista da GHRH por Pandya e colaboradores. Fornecer um agonista exógeno do recetor da GHRH remove teoricamente essa limitação. O corolário clínico desta lógica já foi validado num contexto preciso: o teste diagnóstico combinado GHRH mais GHRP-6 descrito por Popovic e colaboradores na The Lancet em 2000 é considerado um estímulo fiável para avaliar a reserva de GH no adulto.
Na prática divulgativa, o parceiro mais frequentemente citado é o CJC-1295, embora a mesma lógica se aplique à sermorelina e à tesamorelina, esta última o único análogo de GHRH com aprovação regulamentar numa indicação específica. As combinações mais documentadas na literatura divulgativa envolvem, contudo, a ipamorelina, tema que abordamos no artigo dedicado à associação CJC-1295 e ipamorelina.
É indispensável separar a plausibilidade mecanística da evidência clínica. Nenhum ensaio controlado e aleatorizado validou uma combinação GHRP-6 mais GHRH em humanos para objetivos de composição corporal, recuperação, sono ou longevidade. A validação existente refere-se exclusivamente ao uso diagnóstico agudo em ambiente hospitalar. Combinar duas moléculas aumenta simultaneamente a exposição hormonal e o número de variáveis não controladas, incluindo o efeito sobre o cortisol e a prolactina descrito para o GHRP-6.
Que efeitos indesejados foram relatados?
Os efeitos indesejados descritos na literatura dividem-se em três categorias: os ligados à falta de seletividade hormonal, os ligados ao excesso de GH e os ligados à qualidade dos produtos disponíveis.
Efeitos hormonais fora do alvo. O estudo de Frieboes e colaboradores (1995) documentou em voluntários masculinos normais que o GHRP-6 aumenta a ACTH e o cortisol durante a noite, além da GH. Em doentes com doença de Cushing, Oliveira e colaboradores mostraram em 2003, no Journal of Endocrinological Investigation, que o GHRP-6 é capaz de estimular a libertação de cortisol e de ACTH. Para a prolactina, os dados humanos mais explícitos referem-se ao GHRP-2 e ao hexarelin no trabalho de Arvat e colaboradores (1997), que descreveu aumentos de prolactina, ACTH e cortisol, caracterizando a classe como não totalmente específica. A elevação crónica do cortisol tem consequências conhecidas sobre o sono, a tolerância à glicose, a densidade óssea e o humor, embora nenhum estudo tenha avaliado essas consequências no contexto de uso prolongado de GHRP-6.
Efeitos ligados à estimulação da GH. Os efeitos classicamente associados a um excesso de atividade somatotrópica incluem retenção hídrica, edema periférico, artralgias, parestesias e síndrome do túnel cárpico, bem como redução da sensibilidade à insulina. Estes efeitos estão bem estabelecidos para a GH recombinante em contexto clínico; a sua extrapolação para o GHRP-6 é plausível, mas não foi quantificada em ensaios dedicados.
Apetite. A fome intensa é, para muitas pessoas, o efeito mais perturbador na prática. Não é um efeito secundário acidental: é a consequência direta do mecanismo de ação.
Dados de tolerância a curto prazo. Em contexto controlado e agudo, o perfil descrito é relativamente benigno. Alaioubi e colaboradores registaram ausência de efeitos secundários durante a administração de GHRP-6 no seu estudo diagnóstico com 49 doentes e 20 controlos, e um ensaio de fase I de dose crescente por via intravenosa em voluntários saudáveis não relatou acontecimentos adversos graves. Estes dados dizem respeito a administrações únicas ou muito curtas e não informam sobre a segurança de uma utilização repetida durante semanas ou meses.
Qualidade dos produtos. Como o GHRP-6 não é fabricado segundo normas farmacêuticas para uso humano, não existe garantia de identidade, pureza, esterilidade ou ausência de endotoxinas nos produtos rotulados para investigação. Este risco é independente da farmacologia da molécula e é discutido em detalhe no nosso artigo sobre a segurança dos péptidos.
Qual é o estatuto legal e antidopagem do GHRP-6?
Estatuto regulamentar. O GHRP-6 não dispõe de autorização de introdução no mercado como medicamento nos Estados Unidos (FDA) nem na União Europeia (EMA). Não é aprovado para nenhuma indicação terapêutica, nem para uso estético, desportivo ou de bem-estar. Os produtos disponíveis são vendidos com a menção de destinarem-se exclusivamente a investigação laboratorial, o que significa, juridicamente, que não são destinados a administração humana.
O enquadramento legal varia consideravelmente entre países. Em algumas jurisdições, a posse de um produto rotulado para investigação não é ilegal, mas a sua importação, venda para consumo humano ou publicidade como produto de saúde constitui infração. Noutras, a substância enquadra-se em legislação sobre medicamentos ou sobre substâncias dopantes, com sanções associadas. Verifique sempre a legislação aplicável no seu país antes de qualquer decisão.
Antidopagem. A situação desportiva é inequívoca. A Lista de Substâncias e Métodos Proibidos de 2026 da Agência Mundial Antidopagem inclui, na secção S2 (Hormonas peptídicas, fatores de crescimento, substâncias afins e miméticos), a rubrica relativa à hormona de crescimento, aos seus fragmentos e aos seus fatores de libertação. Nessa rubrica constam explicitamente os secretagogos da hormona de crescimento e os seus miméticos (com exemplos como anamorelina, capromorelina, ibutamoren, ipamorelina, lenomorelina ou grelina, macimorelina e tabimorelina) e os péptidos libertadores de GH (GHRPs), entre os quais figuram nominalmente o alexamorelin, o examorelin (hexarelin), o GHRP-1, o GHRP-2 (pralmorelin), o GHRP-3, o GHRP-4, o GHRP-5 e o GHRP-6.
As substâncias da secção S2 são proibidas em permanência, isto é, tanto em competição como fora de competição. Os métodos analíticos modernos permitem detetar diretamente os GHRPs e os seus metabolitos na urina, e a investigação sobre estabilidade e perfis de degradação destes péptidos em matrizes biológicas tem sido ativamente desenvolvida pelos laboratórios antidopagem. Um atleta sujeito a controlo que utilize GHRP-6 expõe-se a uma violação das regras antidopagem, independentemente da dose ou da intenção.
Não estabelecemos qualquer ligação de compra para o GHRP-6 e nenhum produto contendo GHRP-6 figura no nosso catálogo. Se pretende explorar as ferramentas de cálculo e de acompanhamento disponíveis para fins educativos, pode consultar a calculadora GHRP-6 da aplicação Peptide Lab, concebida como recurso informativo de conversão e não como incentivo à utilização.
O que permanece desconhecido sobre o GHRP-6?
Um guia honesto sobre um péptido de investigação deve terminar pelo inventário das lacunas, que no caso do GHRP-6 são substanciais.
Segurança a longo prazo. Todos os estudos humanos publicados são agudos ou de muito curta duração. Não existe qualquer dado sobre administração repetida durante semanas, meses ou anos. As questões críticas permanecem sem resposta: qual é o impacto cumulativo da elevação repetida do cortisol? A sensibilidade à insulina degrada-se com a exposição prolongada? Existe dessensibilização progressiva do recetor GHS-R1a, com perda de resposta ao longo do tempo?
Eficácia para os objetivos pelos quais é procurado. Nenhum ensaio controlado avaliou o GHRP-6 quanto à massa magra, à perda de gordura, à recuperação de lesões, à qualidade do sono a longo prazo ou a marcadores de envelhecimento em adultos saudáveis. A cadeia de raciocínio mais utilizada (o GHRP-6 aumenta a GH, a GH influencia a composição corporal, logo o GHRP-6 melhora a composição corporal) é uma inferência, não um resultado medido.
Risco oncológico. A relação entre a estimulação crónica do eixo GH/IGF-1 e a proliferação celular é uma preocupação teórica reconhecida na literatura endocrinológica. Não existem estudos de segurança de longa duração com GHRP-6 que permitam quantificar ou excluir este risco.
Populações não estudadas. Os estudos humanos disponíveis foram conduzidos maioritariamente em homens adultos jovens. Faltam dados em mulheres, em idosos, em pessoas com obesidade, diabetes, doença hepática ou renal, e obviamente em grávidas e adolescentes.
Magnitude real do efeito sobre o apetite em humanos. O mecanismo está bem estabelecido em modelos animais, mas a intensidade, a duração e a variabilidade do efeito orexigénico em pessoas nunca foram caracterizadas em condições controladas.
Em resumo. O GHRP-6 é uma molécula cientificamente bem caracterizada quanto ao seu mecanismo agudo e mal caracterizada quanto às consequências do seu uso continuado. Esta assimetria é precisamente o que distingue uma substância de investigação de um medicamento.
Aviso importante. Este artigo destina-se exclusivamente a fins educativos e informativos. O GHRP-6 é um péptido de investigação sem aprovação regulamentar para uso humano e não deve ser utilizado para autoadministração. Nada aqui escrito constitui aconselhamento médico, diagnóstico ou recomendação posológica. Consulte um profissional de saúde qualificado antes de tomar qualquer decisão relacionada com a sua saúde.
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Perguntas frequentes sobre o GHRP-6
O que é exatamente o GHRP-6?
Porque é que o GHRP-6 provoca fome?
O GHRP-6 aumenta mesmo o cortisol e a prolactina?
Qual é a semivida do GHRP-6?
Qual é a diferença entre o GHRP-6 e a ipamorelina?
Porque é que o GHRP-6 é frequentemente associado a um análogo de GHRH?
O GHRP-6 é proibido no desporto?
Existem dados de segurança a longo prazo em humanos?
Fontes científicas
- Bowers CY et al. (1990). Growth hormone (GH)-releasing peptide stimulates GH release in normal men and acts synergistically with GH-releasing hormone. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 70(4):975-982.
- Pandya N, DeMott-Friberg R, Bowers CY, Barkan AL, Jaffe CA (1998). Growth hormone (GH)-releasing peptide-6 requires endogenous hypothalamic GH-releasing hormone for maximal GH stimulation. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 83(4):1186-1189.
- Lawrence CB, Snape AC, Baudoin FMH, Luckman SM (2002). Acute central ghrelin and GH secretagogues induce feeding and activate brain appetite centers. Endocrinology, 143(1):155-162.
- Frieboes RM, Murck H, Maier P, Schier T, Holsboer F, Steiger A (1995). Growth hormone-releasing peptide-6 stimulates sleep, growth hormone, ACTH and cortisol release in normal man. Neuroendocrinology, 61(5):584-589.
- Alaioubi B, Mann K, Petersenn S (2009). Diagnosis of growth hormone deficiency in adults: provocative testing with GHRP6 in comparison to the insulin tolerance test. Hormone and Metabolic Research.
- Popovic V, Leal A, Micic D, Koppeschaar HP, Torres E, Paramo C, Obradovic S, Dieguez C, Casanueva FF (2000). GH-releasing hormone and GH-releasing peptide-6 for diagnostic testing in GH-deficient adults. The Lancet, 356(9236):1137-1142.
- Cabrales A, Gil J, et al. (2013). Pharmacokinetic study of Growth Hormone-Releasing Peptide 6 (GHRP-6) in nine male healthy volunteers. European Journal of Pharmaceutical Sciences, 48(1-2):40-46.
- Raun K, Hansen BS, Johansen NL, Thøgersen H, Madsen K, Ankersen M, Andersen PH (1998). Ipamorelin, the first selective growth hormone secretagogue. European Journal of Endocrinology, 139(5):552-561.
- Arvat E, di Vito L, Maccagno B, Broglio F, Boghen MF, Deghenghi R, Camanni F, Ghigo E (1997). Effects of GHRP-2 and hexarelin, two synthetic GH-releasing peptides, on GH, prolactin, ACTH and cortisol levels in man. Comparison with the effects of GHRH, TRH and hCRH. Peptides, 18(6):885-891.
- Oliveira JH, Vieira JG, Abucham J, Lengyel AM (2003). GHRP-6 is able to stimulate cortisol and ACTH release in patients with Cushing's disease: comparison with DDAVP. Journal of Endocrinological Investigation, 26:230-235.
- Berlanga-Acosta J, Abreu-Cruz A, García-del Barco Herrera D, Mendoza-Marí Y, Rodríguez-Ulloa A, García-Ojalvo A, Falcón-Cama V, Hernández-Bernal F, Beichen Q, Guillén-Nieto G (2017). Synthetic Growth Hormone-Releasing Peptides (GHRPs): A Historical Appraisal of the Evidences Supporting Their Cytoprotective Effects. Clinical Medicine Insights: Cardiology.
- Agência Mundial Antidopagem (WADA) (2026). International Standard: Prohibited List 2026 (secção S2, Hormonas peptídicas, fatores de crescimento, substâncias afins e miméticos). World Anti-Doping Agency.