Pontos essenciais
  • Não existe nenhuma hormona chamada GLP-3 na fisiologia humana. O gene do proglucagon origina apenas duas sequências 'glucagon-like': GLP-1 e GLP-2, além de glucagon, glicentina e oxintomodulina.
  • 'GLP-3', 'GLP-3 Reta', 'GLP-3R' e 'GLP-RT' são etiquetas comerciais usadas por fornecedores do mercado de pesquisa para designar a retatrutida (LY3437943), um agonista triplo dos receptores de GIP, GLP-1 e glucagon desenvolvido pela Eli Lilly.
  • A retatrutida tem resultados publicados sólidos: fase 2 em obesidade no NEJM em 2023, fase 2 em diabetes tipo 2 no Lancet em 2023, e os ensaios de fase 3 TRIUMPH-1 (NEJM, 2026) e TRIUMPH-2 (Lancet, 2026).
  • À data desta publicação, 28 de outubro de 2026, a retatrutida não está aprovada por nenhuma grande agência reguladora. Qualquer frasco vendido online não é um medicamento aprovado.
  • Uma análise independente publicada na Drug and Alcohol Review em 2026 encontrou, em três frascos australianos rotulados com a mesma quantidade, conteúdos reais entre 51,3% e 190% do declarado no rótulo.
  • Em agosto de 2026 a FDA enviou cartas de advertência a vendedores de peptídeos, citando expressamente 'GLP-3R' entre os produtos considerados medicamentos novos não aprovados, apesar da menção 'apenas para pesquisa'.
  • Este artigo é educativo. Não contém qualquer recomendação de utilização, protocolo ou aconselhamento médico. Consulte um profissional de saúde qualificado.

Existe uma hormona GLP-3 no corpo humano?

A resposta curta é não. A fisiologia humana conhece duas hormonas da família glucagon-like peptide: a GLP-1 e a GLP-2. Nenhuma terceira hormona designada 'GLP-3' foi identificada, sequenciada ou caracterizada em seres humanos. O termo não aparece na nomenclatura oficial de hormonas peptídicas nem na literatura de endocrinologia revista por pares, exceto quando autores discutem precisamente a confusão criada pelo marketing.

A razão é estrutural e tem a ver com um único gene. O gene GCG codifica uma proteína precursora, o proglucagon, que é cortada de maneira diferente segundo o tecido onde se encontra. Nas células alfa do pâncreas, a enzima pró-convertase 2 liberta sobretudo glucagon, deixando o resto da molécula como um fragmento maior e biologicamente inativo. Nas células L do intestino e em neurónios do tronco cerebral, a pró-convertase 1/3 corta o mesmo precursor em outros pontos e origina glicentina, oxintomodulina, GLP-1 e GLP-2.

Os nomes GLP-1 e GLP-2 são simplesmente ordinais descritivos: dentro do proglucagon existem duas sequências parecidas com o glucagon, separadas por peptídeos intervenientes, e foram numeradas pela ordem em que aparecem na molécula precursora. Como só existem duas, a numeração termina em dois. Não há uma terceira sequência glucagon-like à espera de ser descoberta nesse precursor, porque a sua estrutura foi completamente mapeada décadas atrás.

Vale a pena notar que o proglucagon origina, de facto, mais do que duas hormonas ativas. A oxintomodulina, por exemplo, é um agonista duplo dos receptores de GLP-1 e de glucagon e desperta grande interesse em investigação metabólica. Mas ela tem o seu próprio nome, não é chamada GLP-3. Se quiser aprofundar a biologia desta família, o nosso guia dedicado ao GLP-1 descreve em detalhe a secreção, a sinalização e a degradação destas hormonas.

Em resumo: quando encontra 'GLP-3' num website, não está a ler um termo de fisiologia. Está a ler uma designação de catálogo.

De onde vem o nome 'GLP-3'?

A expressão nasceu no mercado de peptídeos ditos 'de pesquisa', que vende frascos de pó liofilizado diretamente ao consumidor com a menção 'apenas para uso em investigação' ou 'não destinado ao consumo humano'. Nesse mercado, as moléculas metabólicas mais procuradas recebem frequentemente nomes de código em vez dos nomes internacionais.

Encontra-se a mesma molécula sob várias etiquetas: 'GLP-3', 'GLP-3 Reta', 'GLP-3R' ou 'GLP-RT'. O sufixo 'Reta' e as iniciais 'RT' são a pista decisiva: referem-se à retatrutida. A lógica comercial do prefixo 'GLP' é de posicionamento: ao sugerir uma geração seguinte depois do GLP-1 (semaglutida) e dos agonistas duplos, a etiqueta cria uma hierarquia de números que soa científica sem o ser.

Existe também uma segunda razão, mais prosaica. Nomes de código reduzem a visibilidade das listagens em motores de busca, em sistemas de pagamento e em filtros de plataformas publicitárias, que detetam nomes de substâncias farmacêuticas sujeitas a receita médica ou em desenvolvimento clínico. Um catálogo que escreve 'GLP-3' em vez do nome internacional da molécula é mais difícil de identificar automaticamente. O mesmo padrão aparece com 'GLP-TZ' para a tirzepatida.

Esta prática não escapou às autoridades. Numa carta de advertência de 24 de agosto de 2026, a FDA listou expressamente 'GLP-3R' entre os produtos comercializados por um vendedor de peptídeos e classificou-os como medicamentos novos não aprovados, notando que a presença de água bacteriostática no catálogo e as indicações no website demonstravam intenção de uso humano, apesar da rotulagem 'apenas para pesquisa'. Ou seja, o regulador reconheceu o nome de código e identificou a molécula por trás dele.

A consequência prática para quem pesquisa o termo é importante: procurar literatura científica sobre 'GLP-3' não devolve nada útil, porque a palavra não existe na ciência. A pesquisa correta usa o nome da molécula.

Que molécula é realmente vendida como 'GLP-3'?

A molécula é a retatrutida, também identificada pelo código de desenvolvimento LY3437943, desenvolvida pela Eli Lilly. Trata-se de um peptídeo sintético único de 39 aminoácidos que ativa simultaneamente três receptores: o receptor do polipeptídeo insulinotrópico dependente de glucose (GIPR), o receptor do GLP-1 (GLP-1R) e o receptor do glucagon (GCGR). Daí a designação técnica correta: agonista triplo, ou agonista dos receptores de GIP, GLP-1 e glucagon.

A sua arquitetura molecular é o resultado de engenharia peptídica deliberada. A espinha dorsal deriva do GIP, não do GLP-1, o que por si só torna o prefixo comercial 'GLP' enganador. Foram introduzidos aminoácidos não naturais, nomeadamente ácido aminoisobutírico nas posições 2 e 20 e alfa-metil-leucina na posição 13, para resistir à degradação pela enzima dipeptidil peptidase-4. Uma lisina na posição 17 foi acilada com um diácido graxo de 20 carbonos através de um ligante, o que promove a ligação à albumina plasmática e prolonga a permanência na circulação. A extremidade C-terminal é amidada.

Esses elementos explicam uma semivida de aproximadamente seis dias, compatível com administração subcutânea uma vez por semana nos protocolos de ensaio. A fórmula molecular reportada por fornecedores de reagentes químicos é C₂₂₁H₃₄₂N₄₆O₆₈, com uma massa molecular de cerca de 4 731 g/mol, e o número CAS atribuído é 2381089-83-2.

Importa separar duas realidades que o nome comum confunde. Por um lado existe a retatrutida de grau farmacêutico, fabricada sob boas práticas de fabrico, caracterizada lote a lote e administrada em ensaios clínicos registados sob supervisão médica. Por outro lado existe um pó vendido online sob a etiqueta 'GLP-3', cuja identidade, quantidade, esterilidade e perfil de impurezas dependem inteiramente de um fabricante não identificado e de um certificado que o comprador não pode auditar. São objetos diferentes, mesmo quando a molécula pretendida é a mesma.

Para um resumo técnico completo da molécula, da farmacocinética e dos dados de segurança reunidos até agora, consulte o nosso guia de referência sobre a retatrutida. Esta página limita-se à questão terminológica.

Como age um agonista triplo GIP/GLP-1/glucagon?

Cada um dos três receptores contribui com um mecanismo distinto, e o interesse da abordagem está na combinação, não na soma simples.

A componente GLP-1 é a mais conhecida. A ativação do GLP-1R potencia a secreção de insulina de modo dependente da glucose, trava a secreção inapropriada de glucagon, retarda o esvaziamento gástrico e atua em circuitos hipotalâmicos e do tronco cerebral que reduzem o apetite e a ingestão alimentar. É este eixo que sustenta os medicamentos aprovados para diabetes tipo 2 e obesidade.

A componente GIP é mais debatida. O GIP é a outra grande incretina intestinal, e a sua ativação parece reforçar o efeito insulinotrópico e influenciar o metabolismo do tecido adiposo, além de poder atenuar as náuseas associadas à estimulação do GLP-1R. O agonismo duplo GIP e GLP-1 é o princípio por trás da tirzepatida, e a comparação entre as duas estratégias está desenvolvida no artigo retatrutida versus tirzepatida.

A componente glucagon é o elemento que distingue a retatrutida. O glucagon aumenta o gasto energético e estimula a lipólise e a oxidação hepática de lípidos, o que ajuda a explicar as reduções acentuadas de gordura hepática observadas nos ensaios. Em contrapartida, o glucagon eleva a produção hepática de glucose, de modo que o equilíbrio entre as três atividades tem de ser cuidadosamente calibrado para não comprometer o controlo glicémico. É essa calibração farmacológica, e não a mera adição de um terceiro alvo, que representa o desafio técnico.

Esta tripla ação também significa que o perfil de eventos adversos não é idêntico ao de um agonista GLP-1 isolado. Os ensaios descrevem predominância de efeitos gastrointestinais, assim como alterações hemodinâmicas e metabólicas que requerem monitorização clínica. O artigo sobre efeitos adversos da retatrutida reúne o que os ensaios publicados relatam a este respeito.

O que mostram os ensaios clínicos publicados da retatrutida?

Ao contrário de muitos peptídeos do mercado cinzento, a retatrutida tem um corpo de evidência clínica publicado em revistas de primeira linha. Convém, porém, ler estes dados pelo que são: resultados obtidos com produto de grau farmacêutico, em participantes selecionados e sob vigilância médica estreita.

No ensaio de fase 2 em obesidade, publicado no New England Journal of Medicine em 2023, a variação percentual média do peso corporal às 48 semanas foi de -8,7% no grupo de 1 mg, -17,1% no grupo combinado de 4 mg, -22,8% no grupo combinado de 8 mg e -24,2% no grupo de 12 mg, contra -2,1% com placebo.

No ensaio de fase 2 em diabetes tipo 2, publicado no Lancet em 2023, participaram 281 adultos, com dulaglutida 1,5 mg como comparador ativo. As reduções de HbA1c situaram-se entre 1,3 e 2,0 pontos percentuais nos grupos de 4 a 12 mg, contra ausência de alteração com placebo e 1,4 pontos com dulaglutida.

O programa de fase 3 TRIUMPH confirmou e ampliou estes sinais. O TRIUMPH-1, publicado no New England Journal of Medicine em setembro de 2026, randomizou 2 339 adultos com obesidade ou excesso de peso, sem diabetes, em proporção 1:1:1:1 para 4 mg, 9 mg, 12 mg ou placebo, com avaliação primária às 80 semanas. Na análise do regime de tratamento, que inclui todos os randomizados, a variação média de peso foi de -17,6%, -23,7% e -25,0% nos três braços ativos, contra -3,9% no placebo. Na análise de eficácia, que estima o efeito em quem mantém o tratamento conforme previsto, o braço mais alto atingiu -28,3%.

O TRIUMPH-2, publicado no Lancet em 2026, avaliou 1 152 adultos com índice de massa corporal igual ou superior a 27 e diabetes tipo 2, em 92 centros de oito países. Às 80 semanas, a variação média de peso foi de -11,9%, -16,8% e -18,8% nos braços ativos, contra -5,1% no placebo, uma redução menor do que na população sem diabetes, padrão coerente com o observado em toda esta classe de moléculas.

Estes números descrevem o que uma molécula bem caracterizada faz dentro de um ensaio. Não descrevem o que acontece com um pó de origem desconhecida usado fora de supervisão médica, e não constituem recomendação de uso.

Por que o rótulo 'GLP-3' é um problema concreto?

O primeiro problema é epistemológico. Um nome inventado impede a verificação. Quem compra 'GLP-3' não consegue pesquisar bula, ficha de segurança, literatura clínica ou alertas regulamentares, porque nenhum desses documentos usa essa palavra. A etiqueta corta o elo entre o produto e o conhecimento disponível sobre a molécula, e isso serve o vendedor, não o comprador.

O segundo problema é a qualidade real do conteúdo do frasco, e aqui existem dados publicados. Uma análise independente de produtos vendidos como retatrutida na Austrália, publicada na Drug and Alcohol Review em 2026, examinou três frascos rotulados com 10 mg. A identidade da molécula foi confirmada nos três por espectrometria de massa, o que é uma nota positiva. A quantidade, porém, não: um frasco continha 5,13 mg, ou seja 51,3% do declarado, outro 19,0 mg, equivalente a 190%, e o terceiro 16,5 mg, equivalente a 165%. Um fator de variação próximo de quatro entre frascos nominalmente idênticos é incompatível com qualquer uso controlado.

O terceiro problema é a contaminação e a ausência de controlo microbiológico. Num estudo multifatorial publicado no Journal of Medical Internet Research em 2024, amostras de semaglutida compradas a três vendedores online sem receita apresentaram conteúdos polipeptídicos de apenas 14,37%, 8,97% e 7,7% do declarado, apesar de os vendedores anunciarem pureza mínima de 99%. Endotoxina bacteriana foi detetada em todas as amostras, com valores entre 2,16 e 8,95 EU/mg. O produto era semaglutida, mas o circuito de distribuição é o mesmo que vende 'GLP-3'.

O quarto problema é a substituição de molécula, e já causou dano documentado. Em setembro de 2026 a autoridade australiana comunicou o caso de um consumidor que sofreu vómitos incontroláveis e uma rutura do esófago, com necessidade de tratamento hospitalar, após usar um produto rotulado como retatrutida. Os testes laboratoriais não encontraram retatrutida alguma no frasco: encontraram semaglutida não declarada, numa quantidade cerca de oito vezes superior à dos produtos de semaglutida avaliados pela agência.

Nenhum destes riscos é teórico, e nenhum é resolvido por uma declaração de pureza no website do vendedor. Se pretende compreender o que um certificado de análise demonstra e o que não demonstra, o nosso guia de leitura de certificados de análise explica a diferença entre confirmação de identidade, quantificação de teor, perfil de impurezas e ensaios de endotoxina e esterilidade.

Qual é o estatuto regulamentar da molécula em 2026?

À data desta publicação, 28 de outubro de 2026, a retatrutida não está aprovada para uso humano por nenhuma das principais agências reguladoras, incluindo a FDA nos Estados Unidos, a EMA na União Europeia e a TGA na Austrália. Permanece uma molécula em investigação, com um programa de fase 3 em curso cujos primeiros grandes resultados foram publicados em 2026.

Isto tem três implicações diretas. Primeira: não existe produto de retatrutida legalmente comercializado como medicamento em nenhum destes mercados, pelo que qualquer frasco à venda ao público está fora do sistema de garantia de qualidade farmacêutica. Segunda: não existe bula aprovada, o que significa que não há nenhuma quantidade, periodicidade ou população-alvo validada por um regulador. Terceira: não existe o mecanismo de farmacovigilância que acompanha os medicamentos autorizados, pelo que efeitos adversos ocorridos fora de ensaio raramente são registados e analisados.

As autoridades têm agido sobre o circuito paralelo. Em agosto de 2026, a FDA emitiu cartas de advertência a vários vendedores de peptídeos, citando produtos como retatrutida, semaglutida e tirzepatida, e identificando-os como medicamentos novos não aprovados. Numa dessas cartas, a designação 'GLP-3R' aparece explicitamente na lista de produtos em causa. O regulador considerou que a rotulagem 'apenas para pesquisa' ou 'não destinado ao consumo humano' não altera a natureza do produto quando o conjunto das provas, incluindo a venda de material para preparar injeções, indica destino humano.

O enquadramento legal varia por jurisdição e pode mudar. Em alguns países a aquisição de substâncias não aprovadas para uso pessoal é objeto de apreensão aduaneira, noutros está sujeita a sanções específicas, e noutros ainda existe uma zona cinzenta na posse de reagentes de laboratório. Verificar a legislação aplicável no seu país é responsabilidade de cada pessoa, e este artigo não substitui aconselhamento jurídico.

Se a sua procura é informativa sobre o mercado atual e as suas limitações, o artigo sobre as fontes de retatrutida descreve o panorama e os sinais de alerta sem fazer qualquer recomendação de utilização.

Como se compara o chamado 'GLP-3' com os agonistas GLP-1 e com a tirzepatida?

A comparação torna-se clara quando se abandona a numeração comercial e se olha para os alvos farmacológicos. A progressão real do campo não é GLP-1, GLP-2, GLP-3, mas sim um aumento do número de receptores ativados por uma única molécula.

CategoriaReceptores ativadosExemplosEstatuto regulamentar
Agonista GLP-1GLP-1RLiraglutida, semaglutidaAprovados para diabetes tipo 2 e obesidade
Agonista duploGIPR e GLP-1RTirzepatidaAprovada para diabetes tipo 2 e obesidade
Agonista triploGIPR, GLP-1R e GCGRRetatrutida, vendida como 'GLP-3'Em investigação, não aprovada

Nesta leitura, a retatrutida não é uma 'terceira geração de GLP' nem uma hormona nova. É um peptídeo de desenho racional com três atividades combinadas, construído sobre uma espinha dorsal de GIP. A diferença face à tirzepatida é a adição do agonismo no receptor de glucagon, com o potencial benefício no gasto energético e na gordura hepática e a complexidade adicional no controlo glicémico que isso acarreta.

Há ainda uma assimetria fundamental de evidência que nenhuma comparação de percentagens deve esconder. Semaglutida e tirzepatida passaram por avaliação regulamentar completa, incluindo estudos de desfechos a longo prazo, e são dispensadas com bula, lote rastreável e farmacovigilância. A retatrutida tem dados de fase 3 publicados e promissores, mas ainda não completou esse percurso, e o produto vendido como 'GLP-3' não tem nenhuma das garantias associadas a um medicamento autorizado.

Comparar magnitudes de perda de peso entre ensaios diferentes exige cautela adicional: as populações, as durações, os critérios de entrada e os métodos estatísticos variam, e a diferença entre a análise do regime de tratamento e a análise de eficácia pode valer vários pontos percentuais dentro do mesmo estudo, como se vê no TRIUMPH-1.

Que perguntas fazer antes de confiar num frasco rotulado 'GLP-3'?

Esta secção não é um guia de utilização, e não contém qualquer protocolo. É uma lista de verificação documental, útil para avaliar criticamente uma afirmação comercial.

  • Que molécula está declarada pelo seu nome internacional? Um catálogo que só escreve 'GLP-3' ou 'GLP-RT' está a omitir a informação mínima de identificação. Um fornecedor que assume o nome da molécula e o número CAS é mais verificável.
  • O certificado de análise corresponde ao lote que recebeu? Um certificado genérico, sem número de lote, sem data e sem o nome do laboratório, não prova nada sobre o frasco que tem em mãos.
  • O certificado quantifica o teor ou apenas confirma a identidade? Esta é a distinção mais importante e a mais frequentemente ignorada. Os três frascos australianos analisados em 2026 tinham a identidade correta e, ainda assim, continham entre 51,3% e 190% do valor declarado no rótulo. Identidade confirmada não significa quantidade correta.
  • Existem ensaios de endotoxina e esterilidade? Produtos destinados a reagente de laboratório não são obrigados a cumprir critérios de material injetável, e o estudo de 2024 no Journal of Medical Internet Research detetou endotoxina em todas as amostras compradas online.
  • A pureza anunciada é verificável de forma independente? Uma percentagem impressa num website não é um resultado analítico. No mesmo estudo, produtos anunciados com pureza mínima de 99% continham menos de 15% do polipeptídeo declarado.
  • Quem assume a responsabilidade legal? Vendedores sem endereço, sem entidade legal identificável e sem canal de reclamações não oferecem recurso nenhum em caso de dano.

O nosso guia sobre certificados de análise detalha cada um destes pontos com exemplos de documentos reais, incluindo o que distingue um relatório de HPLC interpretável de um gráfico decorativo.

Aviso médico. Este conteúdo tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não constitui aconselhamento médico, não recomenda qualquer utilização e não deve ser usado para orientar decisões de saúde. A retatrutida é uma molécula em investigação, não aprovada para uso humano à data desta publicação. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de considerar qualquer intervenção relacionada com peso corporal ou metabolismo, e verifique o enquadramento legal aplicável na sua jurisdição.

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Perguntas frequentes

Existe uma hormona GLP-3?
Não. O gene do proglucagon origina apenas duas sequências glucagon-like, a GLP-1 e a GLP-2, além de glucagon, glicentina, oxintomodulina e peptídeos intervenientes. Nenhuma hormona designada GLP-3 foi identificada na fisiologia humana, e o termo não consta da nomenclatura endocrinológica.
Então o que é vendido com o nome 'GLP-3'?
É a retatrutida, também conhecida pelo código LY3437943, um peptídeo sintético de 39 aminoácidos desenvolvido pela Eli Lilly que ativa os receptores de GIP, GLP-1 e glucagon. Os fornecedores do mercado de pesquisa usam variantes como 'GLP-3', 'GLP-3 Reta', 'GLP-3R' e 'GLP-RT' para designar a mesma molécula.
Por que os vendedores não usam o nome correto da molécula?
Por duas razões combinadas. A primeira é de posicionamento comercial: sugerir uma geração posterior ao GLP-1 soa a progresso científico. A segunda é operacional: nomes de código tornam as listagens menos detetáveis por motores de busca, processadores de pagamento e filtros de plataformas publicitárias que identificam nomes de substâncias farmacêuticas em desenvolvimento clínico.
A retatrutida está aprovada em algum país?
Não, à data de 28 de outubro de 2026 não está aprovada para uso humano pela FDA, pela EMA nem pela TGA. Continua em investigação clínica, com os ensaios de fase 3 do programa TRIUMPH a produzir as primeiras publicações em 2026. Não existe bula aprovada e nenhum produto vendido ao público é um medicamento autorizado.
Os resultados dos ensaios aplicam-se a um produto comprado online?
Não diretamente. Os ensaios usaram material de grau farmacêutico, caracterizado lote a lote, administrado em participantes selecionados e com monitorização médica. Um pó vendido online pode diferir em identidade, quantidade, impurezas e carga microbiológica, e não traz consigo nem o acompanhamento clínico nem o sistema de farmacovigilância do ensaio.
Que evidência existe de que os frascos vendidos como retatrutida divergem do rótulo?
Uma análise publicada na Drug and Alcohol Review em 2026 examinou três frascos australianos rotulados com 10 mg: a identidade da molécula foi confirmada nos três, mas os conteúdos reais foram de 5,13 mg, 19,0 mg e 16,5 mg, ou seja 51,3%, 190% e 165% do declarado. Separadamente, a autoridade australiana comunicou em setembro de 2026 um produto rotulado como retatrutida que não continha retatrutida, mas sim semaglutida não declarada.
Qual é a diferença entre 'GLP-3' e a tirzepatida?
A tirzepatida é um agonista duplo que ativa os receptores de GIP e de GLP-1, e está aprovada para diabetes tipo 2 e obesidade. A molécula vendida como 'GLP-3', a retatrutida, acrescenta o agonismo no receptor de glucagon e permanece em investigação. A comparação detalhada está no artigo dedicado a retatrutida versus tirzepatida.
Qual é a forma correta de pesquisar informação sobre esta molécula?
Use o nome internacional, retatrutida, ou o código de desenvolvimento LY3437943, em bases de dados como a PubMed e o ClinicalTrials.gov. Pesquisar 'GLP-3' não devolve literatura científica, porque o termo não existe fora dos catálogos comerciais. Para uma síntese técnica em português, consulte o guia de referência sobre a retatrutida.

Fontes

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  2. Jastreboff AM, Kaplan LM, Frías JP, et al. (2023). Triple-Hormone-Receptor Agonist Retatrutide for Obesity: A Phase 2 Trial. New England Journal of Medicine 2023;389(6):514-526 (PMID 37366315). (PubMed)
  3. Rosenstock J, Frías JP, Jastreboff AM, et al. (2023). Retatrutide, a GIP, GLP-1 and glucagon receptor agonist, for people with type 2 diabetes: a randomised, double-blind, placebo and active-controlled, parallel-group, phase 2 trial conducted in the USA. The Lancet 2023;402(10401):529-544. (PubMed)
  4. Jastreboff AM, Kaplan LM, Davies MJ, et al.; TRIUMPH-1 Investigators (2026). Retatrutide, a Triple Hormone Receptor Agonist, for Treatment of Obesity (TRIUMPH-1). New England Journal of Medicine (doi:10.1056/NEJMoa2604169). (nejm.org)
  5. Bellido V, le Roux CW, Ekinci EI, et al. (2026). Retatrutide in adults with obesity and type 2 diabetes (TRIUMPH-2): a double-blind, parallel-group, randomised, placebo-controlled, phase 3 trial. The Lancet (PMID 42810372). (PubMed)
  6. Piatkowski T, Craven A, Cornell S, Ferris J (2026). Composition and Labelling Accuracy of Products Sold as Retatrutide in Australia. Drug and Alcohol Review 2026;45(6):e70231 (PMID 42559975). (PubMed)
  7. Ashraf AR, Mackey TK, Vida RG, et al. (2024). Multifactor Quality and Safety Analysis of Semaglutide Products Sold by Online Sellers Without a Prescription: Market Surveillance, Content Analysis, and Product Purchase Evaluation Study. Journal of Medical Internet Research 2024;26:e65440. (jmir.org)
  8. U.S. Food and Drug Administration (2026). Warning Letter: Peak Performance Peptides (735127), citing 'GLP-3R' (retatrutide) among unapproved new drugs. FDA Inspections, Compliance, Enforcement and Criminal Investigations. (fda.gov)
  9. ABC News (Austrália), reportando a Therapeutic Goods Administration (2026). Patient suffers torn oesophagus after using unapproved peptide, prompting fresh warnings. ABC News. (abc.net.au)

Este conteúdo é fornecido apenas para fins informativos e educacionais. Não constitui aconselhamento médico. Consulte um profissional de saúde antes de tomar qualquer decisão. Leia nosso aviso médico completo